Brasil destaca formação de engenheiros apesar do “apagão” mencionado

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O Brasil destaca formação de engenheiros apesar do “apagão” mencionado.

Formação de Engenheiros no Brasil

Em 2018, o Brasil alcançou um registro inédito com 128.871 graduados em cursos de engenharia. Todavia, a recente preocupação quanto a um potencial “apagão de engenheiros” está se intensificando. Estima-se que apenas 5,6 engenheiros estejam formados para cada 100 mil habitantes, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O presidente do CONFEA, Eng. Vinicius Marchese, enfatiza a situação crítica, afirmando que “estamos perdendo nossos cérebros”.

Desafios Estruturais e de Valorização

É crucial compreender que a situação não se restringe à formação acadêmica. O Brasil enfrenta um quadro de limitações que envolve a falta de investimento em infraestrutura, a valorização profissional e a necessidade de melhorar a qualidade do ensino. A professora Luciana Montanari, da Escola Politécnica da USP, argumenta que “não é apagão de engenheiros; é apagão de condições para fazer engenharia no Brasil”.

Embora a quantidade de engenheiros formados seja significativa — mais de 1,3 milhão entre 2009 e 2023 — a recente redução de 44,5% na matrícula de novos alunos desde 2015 reflete desinteresse dos jovens pela carreira devido a salários desproporcionais e escassez de oportunidades. O país deve, portanto, estimular novas perspectivas de desenvolvimento.

Aspectos da Infraestrutura e Investimentos

A demanda por engenheiros está atrelada ao nível de investimento em infraestrutura. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada — Infraestrutura (Sinicon) e a consultoria Inter.B afirmam que, para atender adequadamente as necessidades do Brasil, é preciso alocar entre 4% e 4,5% do PIB em infraestrutura. Contudo, os investimentos têm se mantido abaixo de 2%, insuficientes para repor as depreciações existentes.

Os anos de 2010 a 2014 mostraram um aumento significativo no número de engenheiros registrados no CONFEA, coincidindo com um período de grandes investimentos públicos. Com obras paralisadas atualmente, o setor da construção civil não tem conseguido absorver a quantidade de mão de obra especializada disponível.

Desvalorização e Desvio de Função

Diante do cenário desafiador, muitos engenheiros são contratados em funções que não refletem sua formação, como “analistas” ou “gestores”, evitando o cumprimento da Lei 4.950-A/1966 sobre o Salário Mínimo Profissional (SMP). O Minicenso 2024 do CONFEA revelou que 82% dos entrevistados consideram as condições de trabalho insatisfatórias.

A Engenharia no Contexto Internacional

A comparação internacional ressalta a lacuna no Brasil. Enquanto países como Japão e Alemanha possuem até 25 engenheiros formados para cada 100 mil habitantes, o Brasil ainda registra apenas 5,6. A Coreia do Sul, que investiu na formação técnica, apresenta 22% de seus formandos em engenharia, contrastando com apenas 1% de trabalhadores brasileiros em ocupações STEM.

Atuação Proativa do Sistema CONFEA/CREA

Recentemente, o Sistema CONFEA/CREA tem avançado na valorização profissional e implementação de ações que fortalecem o setor. A Frente de Valorização Profissional e a Força-Tarefa Nacional de Fiscalização demonstram um compromisso com a melhoria das condições de trabalho e a regularização profissional.

Em São Paulo, o CREA-SP, sob a presidência da engenheira Lígia Mackey, registrou um aumento significativo na formalização de empresas e coordenações atuais, resultando em cerca de 11 mil profissionais cadastrados como responsáveis técnicos só em 2025.

Engenharia como Fundamental para a Sociedade

A correta contratação de engenheiros qualificados é uma questão de segurança pública. A responsabilidade pela infraestrutura que afeta a vida de milhares de cidadãos não pode ser delegada a profissionais não habilitados. A fiscalização é crucial para evitar tragédias, como desabamentos.

Construindo o Futuro

O Brasil enfrenta um ciclo que necessita ser quebrado através de investimentos e valorização da profissão. Para garantir profissionais de engenharia no futuro, é essencial retomar grandes obras, investir em pesquisa e fortalecer processos de fiscalização. É urgente que o Brasil reconheça o valor de sua engenharia e transforme a vocação em uma oportunidade de desenvolvimento nacional.

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