Com a intensificação da circulação de vírus respiratórios durante o inverno, especialistas reforçam a importância das vacinas como ferramenta de prevenção eficaz.
Vacinação nacional e novos imunizantes
Além da campanha nacional contra a gripe, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizou, desde 22 de junho, a vacina Pneumocócica 20-valente para crianças de até cinco anos em diversos municípios brasileiros. Este imunizante visa ampliar a proteção contra infecções como otite, sinusite, pneumonia e meningite, que são causadas por bactérias transmitidas pelo ar.
A doutora Jussara Carvalho dos Santos, professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos (UNG), afirma que a vacinação é uma estratégia comprovadamente eficaz para reduzir a circulação de vírus e bactérias. “Quando uma parte elevada da população está imunizada contra uma doença, a transmissão do agente infeccioso é interrompida, protegendo inclusive as pessoas não vacinadas. Esse processo é conhecido como imunidade de rebanho”, explica.
Impactos históricos da vacinação
As campanhas de imunização têm sido responsáveis por controlar e até erradicar diversas doenças ao longo das últimas décadas. Um dos maiores exemplos é a erradicação da varíola, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 1967 e 1980, que combinou vacinação em massa com a estratégia de imunização em anel.
Essa iniciativa resultou na economia significativa em sistemas de saúde globalmente. No Brasil, a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, pelo Ministério da Saúde, organizou o registro das doses aplicadas e fortaleceu o monitoramento epidemiológico das doenças infecciosas.
A importância da alta cobertura vacinal
A doutora Jussara ressalta que doenças como poliomielite e sarampo foram eliminadas em várias regiões por meio da vacinação em larga escala, mas ainda requerem altos índices de imunização para evitar a reemergência dos vírus. “Como eliminamos essas doenças, devemos manter a população brasileira vacinada em uma taxa acima de 90% para manter nosso território livre dessas enfermidades”, adverte.
Atualmente, o SUS oferece gratuitamente 50 imunobiológicos, entre vacinas, soros e imunoglobulinas, garantindo proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, rubéola, hepatite B, tétano e coqueluche. Outro exemplo é a pandemia de Covid-19, onde a vacinação, iniciada em janeiro de 2021, resultou em uma redução significativa de casos graves e óbitos.
Desafios e a necessidade de conclusão do esquema vacinal
Apesar da ampla oferta, muitos indivíduos não completam o calendário vacinal. Jussara salienta que essa decisão compromete tanto a proteção individual quanto a coletiva. “Isso reduz a eficácia da proteção, pois muitas vacinas necessitam de múltiplas doses para garantir uma resposta imune robusta e duradoura”, afirma.
A vacinação deve ser encarada como um cuidado contínuo ao longo de toda a vida, não apenas nas infâncias.
Combate à desinformação sobre vacinas
Entre os principais obstáculos das campanhas de imunização estão a disseminação de informações falsas e a hesitação vacinal. Para a professora Jussara, é fundamental desenvolver ações permanentes de educação em saúde e comunicação baseada em evidências para enfrentar esse cenário. “A hesitação em aderir às vacinas é resultado de fatores históricos, psicológicos e sociais, o que exige estratégias de comunicação integradas para superá-la”, conclui. Ela alerta que a redução na cobertura vacinal pode favorecer o reaparecimento de doenças que já estavam controladas. “Os esquemas vacinais completos são indispensáveis para erradicar, controlar e prevenir o retorno de doenças infecciosas”, finaliza.



